Será que EFT cura tudo?

EFT cura tudo?

Será que existe uma única ferramenta de cura para todos os males?

Podemos acreditar em uma panaceia que resolva todos os nossos problemas magicamente?

Bem, porque eu resolvi escrever este artigo? Definitivamente, não é uma crítica a minha querida colega Roberta Dias do eftcuratudo.com.br. Este é um texto sobre o principal agente em qualquer processo de cura: o cliente.

Frequentemente, recebo e-mails de pessoas buscando a solução para seus problemas, e mais frequentemente ainda, elas relatam que já tentaram vários recursos (que naturalmente não tiveram efeito ou foram limitados) e me perguntam: você pode me ajudar? Eu serei curado ao utilizar as suas técnicas?

A resposta costuma ser semelhante: sim, eu posso ajudar. Não existe uma única pessoa neste mundo que não se beneficie em explorar suas próprias mazelas interiores. Comumente uma única sessão de EFT já é suficiente para que a pessoa sinta maior leveza e tranquilidade ao fim do trabalho (embora nem tudo se resolva num par de horas). O acúmulo de passado em nossa psique, nossos condicionamentos mais inconscientes, medos e inseguranças são suficientes pra causarem danos significativos em nossas vidas (isso sem falar em traumas profundos gerados por acidentes ou violência, que por si só são um capítulo à parte). Mesmo uma pessoa que se considere “normal” carrega muito lixo em seu sistema corpo x mente (embora raramente perceba), e mesmo o mais normal de todos os seres humanos teria muito proveito com um trabalho terapêutico.

Mas a principal pergunta ainda não foi respondida: isso significa que “EFT cura tudo”? OK, eu tenho que ser honesto: já presenciei verdadeiros milagres com Técnicas de Psicologia Energética (das quais EFT faz parte), vi alergias e dores de cabeça desaparecerem em minutos, e até uma depressão sumir em uma hora. Mas… não, ela não é mágica, porque entre a “ferramenta de cura” e “a cura em si” existe um ponto central: o cliente, aquele que “quer se curar”.

Você conhece alguém que quer perder peso e não consegue?

Ou quer prosperar mas está sempre patinando no mesmo lugar?

Talvez busque a paz interior, mas está sempre rodeada de conflitos?

Claro que sim – e quem não conhece?!

Estas pessoas têm em comum um fator bem conhecido dos terapeutas e curadores: elas pensam que querem algo, mas no fundo – e talvez nem tão fundo assim – não têm certeza disso. Vamos explicar melhor.

Todos temos – e vivemos – um tipo de divisão interior: uma mente consciente (aquela que acredita que manda) e que geralmente é a que escolhe; e uma inconsciente (aquela que manda de verdade, mesmo que de maneira sutil). Um dos objetivos do autoconhecimento é entrar nestes espaços e criar uma unificação entre ambos – algo que, na grande maioria das pessoas, não ocorre: estes níveis não conversam entre si e, quando o fazem, nem sempre é de maneira amistosa!

Vamos olhar o mundo a nossa volta: parece um lugar pacífico e feliz? Massas são reflexo do que acontece no indivíduo.

Olhemos então as pessoas ao nosso redor: elas estão imunes a conflitos e dificuldades?

E mais precisamente, vamos olhar nossa própria vida: ela é aquilo que gostaríamos de criar, ou parece uma colcha de retalhos emocional?

Quando iniciei este texto com o título “EFT cura tudo”, é importante entender que a saúde não é a única coisa em nossa vida que precisa “ser curada”: nossa vida é uma jornada de cura, física, emocional e espiritualmente falando. Nós somos seres doentes, cegos e coxos, embora novamente nossa própria ignorância nos faça acreditar o contrário… um engano fatal, resultado da mesma falta de autoconhecer-se mencionada anteriormente…

Aí vem um ponto interessante: quando, por exemplo, nossos relacionamentos andam mal (e nos forçam a buscar soluções), começamos a prestar atenção a pontos obscuros em nosso interior, em nossas reações impetuosas, em palavras duras, em nossa falta de tato com as pessoas. Começamos então a encontrar “emoções negativas” que precisam ser eliminadas.

Quando a saúde reclama o seu preço, passamos a olhar a vida por um ângulo mais profundo, encontrando mágoas, frustrações e pensamentos persistentes que conviveram conosco de maneira subliminar, muitas vezes por anos…

Poucas pessoas se negam a eliminar sua raiva e impaciência, mas a medida em que avançamos, vamos perceber que existem traços em nosso interior que, curiosamente, cultivamos com o maior apreço.

Neste momento, ouvimos algumas pessoas dizerem: eu sempre fui assim e não quero mudar!

E se formos olhar pra vida delas com mais atenção, o que vamos descobrir? Que este aspecto de sua personalidade, defendida muitas vezes com ênfase, é justamente a causa de seus maiores males, a origem de seus conflitos mais enraizados.

É o caso típico de alguém que quer ser feliz, quer viver em paz, mas não quer abrir mão do seu jeito de ser – como se isso fosse possível!

Procure entender o seguinte (e eu aconselho que você guarde esta dica de maneira preciosa): sua vida é um reflexo de seu nível de consciência, nem mais nem menos. Em outras palavras: seus pensamentos, emoções e comportamentos determinam as circunstâncias em que você vive, seus relacionamentos, sua saúde, seu trabalho…

Em alguns casos, a pessoa nada diz, mas logo ali, bem na superfície, ela percebe que abandonar um traço de sua personalidade é equivalente a perder um braço – e ela quer sentir-se inteira, é claro!

Eu recebo muitos pedidos de ajuda de pessoas que, dizem, estão desesperadas por encontrar uma solução. Alguns até relatam episódios traumáticos de sua vida, coisas que viveram 20 ou 30 anos atrás, com riqueza de detalhes (e de sofrimento) e perguntam se suas vidas têm solução.

Para todas elas a resposta é semelhante: é claro que sim, não conheço nada que não possa ser mudado.

E o que uma parte realmente significativa destas pessoas faz? Isto é o que me surpreende: elas simplesmente desaparecem!

Poucos iniciam um processo terapêutico, mas quando estamos chegando em questões centrais, elas misteriosamente perdem as sessões, ficam sem tempo, viajam, adoecem, deixam pro próximo mês, torcem o dedo mindinho, e por aí vai… elas se sabotam, ainda não estão totalmente prontas pra fazer uma mudança.

Mas vamos agora a outro extremo: também existem aqueles que, sem pestanejar, acreditam que “estão sãos”.

Você questionaria um empresário, alguém muito bem-sucedido, ou um tipo que demonstra “autoridade” em sua área, que tenha destaque ou visibilidade social? E porque faria, afinal não é isso que a sociedade reverencia?

Por baixo destas atitudes socialmente aplaudidas existem “emoções positivas”: avidez por resultados, ausência de desconforto ao explorar o semelhante, maior interesse pelo saldo bancário do que por pessoas… tudo feito de forma bastante justificável e bem-intencionada, inclusive na área da saúde…

Podemos agora retornar ao ponto central: definitivamente, EFT não cura tudo! Ela é uma ferramenta, e como tal, nos leva até onde nossa consciência alcança; nos permite enxergar até onde nossos olhos conseguem ver. É por este motivo que muitas vezes erramos e não nos damos conta: porque nosso nível de consciência não percebe aquela atitude como nociva – da mesma forma que muitas vezes justificamos a paz entrando em guerra…

E como fazemos este tal nível se desenvolver?

Em um tratado taoísta de alquimia interior, “O Livro da Pílula Dourada”, se diz:

Se o homem correto usar a técnica incorreta, esta técnica incorreta trabalhará para ele de maneira correta.

Porém para o homem incorreto, inclusive a técnica correta trabalhará de forma incorreta.

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Rafael Zen

Sou especialista em desenvolvimento humano: eu transformo a vida das pessoas - e adoro o que faço!
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