Porque as pessoas fazem o que fazem?

E porque nós fazemos o que fazemos?

Há mais ou menos 20 anos atrás, eu tinha um hobby: eu criava cães, especificamente da raça pointer. Eventualmente, até levava os filhotinhos pra vender em eventos pela cidade.

Embora os adultos fossem muitos espertos, continuavam sendo cães! Isso me levou a questionar: como posso melhorar minha comunicação com eles? Logo descobri o adestramento, estudando e colocando em pratica com sucesso rapidamente.

Era um assombro: depois de pouco treino, bastava dar o comando e o cão obedecia. E se o adestramento fosse feito com filhotes, melhor ainda: eles aprendiam ainda mais rápido porque, desde cedo, eram condicionados a obedecer. É claro que eles tinham uma recompensa pelos bons modos: um afago, um biscoito, um passeio… Como a única referência que o cão tem é o dono (o alpha da matilha), ele se submete ao processo com alegria e, no fim das contas, todos ganhavam com isso.

Mais tarde, descobri um programa no Animal Planet chamado “O encantador de cães” e que, muito mais do que exibir como “adestrar” um cão, seu protagonista mostrava (ao menos para mim) como os donos podem estragar seu cão – ou seja, condiciona-lo de maneira errada!

Quando entrei na área terapêutica, descobri o conhecido “experimento Pavlov”. Pavlov, um estudioso russo, ficou conhecido por ter demonstrado que, se dermos a um cão qualquer coisa de comer sempre que tocarmos uma campainha, em breve o cão começará a salivar só de ouvir o som da campainha, porque faz a associação de um estímulo com o outro.

Bem, talvez você esteja se perguntando: o que uma coisa tem a ver com outra?

Eu não sabia, mas quando aprendia sobre cães, já estava tendo meus primeiros insights sobre como a mente humana funcionava. Simples: a maioria de nós, como resultado do condicionamento, responde de formas repetitivas e previsíveis aos estímulos do ambiente. Nossas emoções podem ser mais complicadas e sofisticadas, mas a essência não é fundamentalmente diferente dos condicionamentos caninos.

Vamos a outra história, que no fundo é um reflexo nossa própria.

Quando nascemos neste mundo, o que encontramos? Uma mãe, um pai e uma pequena ilha emocional. Pode parecer que famílias são todas iguais por fora mas, embora semelhantes em muitos aspectos (afinal, todos são humanos), indiscutivelmente o contexto de vida delas é tão diferente quanto água e vinho.

Alguns estudos mais modernos já conseguiram demonstrar que mesmo dentro do útero o bebê já está suscetível a estímulos do meio.

Por exemplo, se a gestante vive em um ambiente de tensão, os hormônios que realizam este processo químico em seu corpo também circularão no bebê (afinal, é o mesmo sangue que o alimenta). Um sangue com adrenalina vai gerar a mesma sensação no feto – e isso já vai lhe trazer a seguinte mensagem subliminar: cuidado, ambiente perigoso!

Talvez você, ou a maioria das pessoas, não consiga lembrar desta etapa da vida; mas alguém que entre em processos de regressão de memória ou outros métodos de exploração interior, irá comprovar de forma direta que o novo ser que ingressa neste mundo tem consciência de si mesmo e do ambiente em que está vivendo. Estas primeiras impressões impregnam o inconsciente deste ser de tal maneira e com tal profundidade que, com o tempo, ele se acostuma com o que sente a ponto que não questionar sua veracidade. Se o ambiente é de insegurança, então sentir-se inseguro é apenas o modo “normal” de viver.

Depois que nasce, o que esta criança vê? Uma única referência de vida: sua família, seu pequeno mundo, seu único modelo de comportamento. O que isso significa? Que tudo aquilo que ela percebe é absorvido sem filtros ou questionamentos, ela apenas aceita estas impressões como única fonte de realidade.

Nesta idade, e mais propriamente até os 18 meses (quando começa a surgir a linguagem), o mundo da criança é totalmente abstrato. A mente racional e discriminativa ainda não existe, está em desenvolvimento, portanto tudo é aceito emocionalmente como verdade… E justamente por isso, nossas crenças mais profundas, arraigadas e difíceis de serem removidas foram absorvidas nesta idade (segundo alguns estudos, 60% do que expressamos em nossa personalidade foi moldado neste período da vida): são nossos pontos de vista mais profundos, mais inconscientes e que, por isso mesmo, sequer são questionados.

E se você tem uma percepção metafísica da vida, lembre-se que nunca somos vítimas de nada, e a sabedoria do universo nos faz nascer num lugar com afinidade energética conosco (semelhante atrai semelhante).

Vamos mudar um pouco o contexto.

Como você está se sentindo agora, neste exato momento? Com exceção das pessoas que definitivamente compreendem que tem assuntos mal resolvidos dentro de si, a grande maioria não questiona se “isto que estou sentindo” é bom, mal, leve ou pesado… ela apenas ignora.

Apenas por curiosidade: você acha que o que sente em seu interior agora é igual ao seu vizinho, ou até mesmo igual aos seus filhos ou companheira(o)? Não, definitivamente, não é igual: são dois mundos diferentes, com ambientes totalmente distintos… Mesmo que ambos cultivem um espaço de harmonia, com a mesma busca neste mundo, elas não são iguais (algo equivalente a tocar em 2 violões as mesmas notas: alguém com ouvido apurado vai perceber a diferença!).

Podemos agora compreender porque as pessoas fazem o que fazem, e principalmente, porque nós fazemos as coisas do jeito que fazemos: porque é a única coisa que sabemos fazer, porque fomos condicionados a isso desde cedo e não ousamos questionar a veracidade do que fazemos, e porque acreditamos que “este comportamento sou eu” (e esta é a parte mais triste).

Todo comportamento é moldado pela família, sociedade, professores, experiências. Comportamentos são resultados de nossas crenças inconscientes (nossas “verdades”). São apenas pensamentos, não são nossa verdadeira natureza, mas poucas pessoas se dão ao trabalho de questionar.

Estes pensamentos estão por traz de nossas experiências de vida, boas ou ruins, e dos resultados que colhemos com elas. Mesmos quando as coisas “vão mal”, nós estamos fazendo o nosso melhor dentro do que podemos fazer (e nem sempre percebemos que isso não é suficiente – a vida é que vai nos ensinar).

Pra conhecer um pouco mais da bagagem inconsciente que guardamos, basta observar os resultados de nossa vida. E ainda mais: compare seus resultados e comportamentos com os dos seus pais – comumente nos assustamos porque somos mais parecidos com eles do que gostaríamos!

Esta mesma “semelhança psicológica” é a que está na base de nossa herança genética e saúde, visto que “pensamentos semelhantes” geram “resultados semelhantes”. O fatalismo instituído pelo pensamento cartesiano chama isso de “doenças hereditárias”.

Mas o mais importante deste artigo é lembrar que não somos obrigados a permanecer como estamos: apenas aprendemos a ser assim, podemos então aprender a ser diferentes. Nascemos no Brasil falando português, mas não existem incontáveis pessoas falando outros idiomas?

Existe inclusive um estudo de um monge budista francês (e doutor em biologia molecular) chamado Matthieu Ricard, que conclui: é possível treinar o cérebro para ser feliz.

Além disso, descondicionar é parte da jornada de transformação interior: apagar nossos pensamentos mais persistentes e lembranças dolorosas e reescrever um novo destino. Neste campo, técnicas de Psicologia Energética desempenham um papel importante pela facilidade e rapidez de resultados.

É neste momento que nos damos conta que tudo é uma questão de escolhas.

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Rafael Zen

Sou especialista em desenvolvimento humano: eu transformo a vida das pessoas - e adoro o que faço!
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