O Perdão, a verdadeira liberdade

Razão x emoção

Já deve ter ficado claro pra você que temos uma divisão interior, que entre o querer e o fazer existe uma diferença, e que as motivações para seus próprios sofrimentos estão dentro de cada um. Esta divisão pode ser observada quando falamos em termos de razão e emoção (que nem sempre estão alinhados). É justamente esta repartição psicológica que origina nossos conflitos: nossa razão (mente racional) sabe o que quer, mas nossos sentimentos (inconsciente) nos bloqueiam ou sabotam.

Nosso inconsciente fala conosco de forma bastante singular, através de sonhos, imagens e símbolos arquetípicos (sabiamente interpretados por Jung); ou através de sensações em nosso corpo – e estas últimas estão acontecendo neste exato momento, aqui e agora. Pode ser uma tensão nos ombros, dor de cabeça, uma apreensão sem fundamento, ou até uma inquietação de origem desconhecida… Infelizmente, na escola somos ensinados a alimentar nossa razão em detrimento do resto, nos tornamos seres emocionalmente burros! Reprimimos parte de nossa natureza, e à partir deste momento iniciamos nosso afastamento de nossa própria consciência, de nossa unicidade como seres vivos. É por este motivo que crianças até 6 anos são sensíveis, intuitivas e criativas, características que se atrofiam em função do desenvolvimento único e exclusivo do processo da razão.

O inconsciente é uma verdadeira Caixa de Pandora, onde guardamos tudo aquilo que negamos, mas que tem o poder de nos dar a vida ou conduzir a morte. Por ignorância, construímos um modo de vida equivocado negando, resistindo e não aceitando, bloqueando a realidade do momento (lembra-se do texto anterior?). Somos pequenas células que pensam que são reis…

Ao negar ou não aceitar plenamente os eventos de nossa vida, a mente racional “apaga” a informação de sua vista, porém o inconsciente não – ele nunca esquece! E como ele faz pra informar que estamos armazenando informações mal processadas? Enviando mensagens (às vezes nada sutis) na forma de desconfortos e situações de vida difíceis. Nossa vida, em tudo que ela representa, é apenas um espelho do nosso inconsciente: brigas, conflitos, revezes, mágoas ou ressentimentos são o alerta inicial; doenças são indicativos de que o aviso não foi ouvido…

Algumas pessoas perguntam: “mas porque é que a EFT formula frases negativas? Isso não reforça essa mesma negatividade dentro de mim?” A resposta é sempre a mesma: você precisa primeiro aceitar suas falhas, e observá-las tal qual elas são. As frases de preparação ou lembrete são apenas uma indicação pra que seu inconsciente aflore aquilo que esta reprimindo, e por isso algumas pessoas começam uma rodada falando em “um pouco de raiva”, e terminam com MUITA RAIVA! Isso é ruim? De jeito nenhum, você está sendo apresentado a quem é verdadeiramente – “e a verdade vos libertará…” Está se confrontando consigo próprio, aquilo que tentou negar ou esconder, enquanto o tapping reajusta seu campo energético.

Queremos o perdão ou a dor?

Neste ponto fica mais fácil compreender que, racionalmente, a resposta é óbvia pra maioria das pessoas, mas na prática a situação é bem diferente – e o agravamento da crise social em que vivemos é reflexo disto. E porque então não conseguimos perdoar? Porque nosso inconsciente ainda mantém conexões negativas com o passado. Faça um teste: lembre-se de um evento ou de alguém que lhe feriu e que ainda lhe gera ressentimento. É algo bom, leveza, tranquilidade? É claro que não, e estas sensações desagradáveis ainda nos mostram que o maior (se não o único) prejudicado por sua negatividade é quem a sente: prestou atenção ao subtítulo “perdão ou a dor”? Não é força de expressão, é a mais pura verdade: assim como perdoar é a verdadeira liberdade e o único caminho para a cura da alma, o oposto será o caminho inevitável caso ele não aconteça.

Então, o que significa perdoar?

Segundo o minidicionário da língua portuguesa consultado, perdão vem do verbo “perdoar” que significa: conceder perdão a, absolver de culpa ou dívida, desculpar, poupar. Em minha opinião, a transcrição disse muito pouco.

Portanto, perdoar é aceitar incondicionalmente pessoas ou fatos, como eles são ou se mostraram a nós, sem emissão de julgamentos, rótulos, crítica ou culpa a ninguém compreendendo que foram apenas espelhos que refletiram sua própria situação interior. Essa foi a forma que o Universo lhe permitiu entrar em contato com sua sombra e conhecer ainda mais sobre quem você é.

É abrir mão da necessidade de sentir-se superior ou inferior, melhor ou pior em qualquer evento. Esta separação é a base de nossos conflitos, e nenhum desentendimento possui lado certo ou errado, existem apenas diferentes pontos de vista e novas lições que foram aprendidas por ambos…

É preciso abandonar vínculos com o passado, desapegar-se, deixar ir algo que já não faz mais parte da realidade presente.

A necessidade de perdoar parte do pressuposto da existência de magoa e ressentimento, significa que nos permitimos ser feridos em nosso passado. Embora em algumas circunstâncias pareça um pouco dura a afirmação “nos permitir”, podemos então reavaliar a situação como: fui ferido no passado e continuo me ferindo até hoje – a dor passada pode não ter sido uma opção, mas carrega-la eternamente é.

Ou ainda: resisti ou rejeitei um evento negativo, e vivo hoje como se meus pensamentos relativos a ele pudessem minimizar minha dor. Algumas pessoas acreditam que continuar revivendo seu sofrimento seja uma maneira de devolvê-lo a quem o feriu, ou talvez eu consiga fazê-lo sentir-se culpado me vendo sofrer. Obviamente, isso não vai acontecer. Alimentar a dor causa apenas mais dor para quem a alimenta…

Há muitas fantasias em nossas lembranças

E isso é algo que precisamos ter em conta sempre: nem tudo é o que parece. Se qualquer evento nos causou reações e julgamentos, isso indica que foi absorvido pela mente e seus condicionamentos. Uma mesma situação traz diferentes sentimentos a quem o vivencia: sempre existem pessoas mal-humoradas em festas, e piadas em velórios! Tudo depende de seu estado interior…

Algumas pessoas não querem perdoar, preferem continuar como estão, indicando que estão demasiado identificados com sua própria dor, fazendo dela parte de sua história pessoal e construindo uma identidade sofredora através dela. Quanto mais nosso senso de identidade estiver calçado em sofrimentos passados, maiores serão nossos esforços inconscientes para resistir ou sabotar nossa mudança. Você quer se manter inteiro, e o sofrimento se tornou uma parte essencial de você. Como saber se esta é sua situação? Ouça as histórias que conta constantemente pra si. Além disso, existem alguns pontos comuns a este perfil:

Pena de si próprio – que nos impede de perceber os fatos como eles são. Ao invés disso, acabamos nos referindo ao evento como “eu e minha história triste e infeliz”, ou ainda “o dia em que isso aconteceu e me causou esta dor”. Não conseguimos separar estados interiores de eventos externos.

Apego ao sofrimento – é observado em pessoas ressentidas recontando sempre a mesma história com uma estranha e ambígua sensação de dor e prazer, ao mesmo tempo em que emitem novos pontos de vista (mais fantasias) buscando diminuir a outra parte. Isso lhes dá a falsa sensação de superioridade enquanto perpetuam sua condição de vítima.

Medo de que a experiência negativa se repita (que também é sinal de apego ao passado) – isto pode acontecer apenas quando não aprendemos a lição fundamental: viver em estado de gratidão pelo momento presente, seja ele como for. Por trás de qualquer situação aparentemente negativa existe sempre um bem maior…

Além disso, existe unicidade entre todas as coisas, vítima e agressor procuram-se de forma inconsciente. Se você foi magoado, é porque também magoou. O perdão rompe os vínculos negativos que mantemos com a outra pessoa, dando espaço ao surgimento de novas oportunidades mais elevadas, criando espaço para a liberdade.

Uma parábola Zen Budista

Dois monges caminhavam silenciosamente num dia chuvoso pelo interior da China. Ao se depararem com um rio, perceberam uma jovem moça com trajes impecavelmente limpos buscando a melhor maneira de atravessá-lo. Sem pensar, um deles pegou-a no colo e a devolveu com segurança na margem oposta, seguindo seu rumo em silêncio com seu companheiro.

Horas depois, o outro monge quebra o silêncio e questiona:

– Lá atrás, no rio, você tocou numa mulher. Nossas leis não permitem isso!

– Eu a deixei no rio, você ainda a está carregando…

Reflitamos:

Pra entender todo o contexto que envolve uma palavra tão simples, foi necessário fazermos uma viagem em quatro artigos publicados anteriormente pra compreender

  • quem é você, o que são e quais são seus valores,
  • que julgamento representa a constante avaliação das coisas como certas ou erradas, boas ou más e que os rótulos “sucesso” e “fracasso” são conceitos mentais,
  • que o tempo é uma ilusão provocada pela mente e que ninguém se sentirá melhor quando algo acontecer um dia;
  • que a verdadeira prosperidade provém de um estado de espírito e não de quanto dinheiro possuímos.
  • além disso, procurei explicar que toda resistência é inútil e que a vida está sempre nos convidando a compartilhar com ela todas as suas dádivas.

Tudo isso com um único objetivo: não importa como você chame sua meta na vida porque todas elas caminham em direção a felicidade – que é um derivado da paz interior. Esta não está no mundo da forma, tampouco em seus pensamentos. A paz não é um destino futuro, mas a jornada presente. Enquanto existir negação, permaneceremos andando em círculos e condenados ao eterno ciclo de expectativa e frustração, prazer e dor e nos afastando do objetivo primordial…

Lembre-se ainda que nenhum pensamento tem a verdade absoluta, e que portanto eles não devem ser levados tão a sério quanto gostariam. Quando interiorizamos este princípio, vamos compreender que o primeiro a ser perdoado somos nós mesmos, porque até agora não somente ignoramos estas verdades como, o que é pior, ignoramos que ignoramos…

Aplicando EFT:

O perdão é um menino esquivo. Algumas pessoas buscam por ele, mas não sabem onde encontra-lo. O Hooponopono é uma forma maravilhosa, mas também existe outra maneira: dissolvendo a negatividade emocional, abrindo as janelas que impedem a entrada de luz. O perdão, que é essa luz, não pode existir em quarto escuro.

Por isso, não busque o perdão porque iremos fazer como o cachorro que corre atrás do próprio rabo. Parece contraditório, mas não é necessário buscar nada, apenas permita que ele venha eliminando em você o que o impede de existir: as reações emocionais negativas, resistências e faltas de aceitação sobre sua vida.  Aceitação é sempre sinônimo de perdão e paz interior, por outro lado, resistir a qualquer evento trará dor inevitavelmente.

Procure em seu coração eventos que você não aceitou plenamente ou que ainda está carregando como o monge da parábola. Quando lembra deles, qual sua reação: Raiva? Magoa? Tristeza? Inicie por aí:

“embora eu sinta ______, eu me amo e me aceito profunda e completamente”

“mesmo que eu sinta _______, eu deixo ir o meu passado e escolho fazer do momento presente um presente de Deus em minha vida”

“embora eu rejeite este evento do meu passado, e tenha me mantido preso a ele por tanto tempo, eu abro mão do controle e me perdoo completamente por isso…”

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Rafael Zen

Sou especialista em desenvolvimento humano: eu transformo a vida das pessoas - e adoro o que faço!
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