A guerra como modelo mental

Esta semana estava lendo minhas mensagens no Facebook (ainda estou aprendendo, já respondi mensagens quase 2 meses depois de tê-las recebido por absoluta falta de conhecimento!) quando recebi uma postagem de um contato. Tinha a trágica imagem de um feto e a mensagem bastante orgulhosa: “eu sou contra o aborto!”

Meio perturbado com a foto, o que vi nesse momento foi apenas uma reprodução daquilo que acontece em todas as partes do mundo, só que em pequena escala: a “guerra contra algo”. Noticiários e jornais geralmente destacam estas informações como forma de mostrar o bom serviço de autoridades e políticos: guerra contra as drogas, guerra contra o câncer e, mais recentemente, a guerra contra o terrorismo.

E o que acontece?

A guerra contra o crime nos EUA fez a população carcerária triplicar nos últimos 20 anos;

Nunca se viu tanta gente com câncer (e principalmente com medo dele);

E a guerra contra o terrorismo? Bem, os fatos novamente falam por si: depois da invasão do Afeganistão e do Iraque e dos milhares “efeitos colaterais” – um termo militar bastante simplório para discriminar baixas civis – muitas pessoas tem se perguntado: quem, afinal, são os terroristas?

Este é o problema da guerra: como todo o demais em nossa vida, ela não passa de um conceito mental. Ela não existe por si só no mundo externo, ela existe como um pensamento, um idéia, mas que tem o poder de nos conduzir a realizar algo. E neste caso específico, é uma das inúmeras formas de oposição ao movimento da vida.

Faça um teste: feche os olhos e estampe em sua mente a palavra “guerra”. O que você vê? Este exemplo ilustra o que quero dizer: toda palavra projeta em nossa mente uma imagem – e são as imagens que guiam nossos sentimentos, palavras e atos…

Nós aprendemos desde pequenos que devemos lutar contra o mundo: lutar pra passar no vestibular, lutar por um bom emprego, lutar pela felicidade, para ter reconhecimento, enfim… lutar para ter um lugar ao sol… e o resultado? Stress, tensão, nervosismo… Efeitos colaterais da guerra a que estamos submetidos…

Estes mesmos efeitos já aparecem em programas-família da TV: “vamos juntos assistir ao ultimate fight” – agressão e pancadaria vistas apenas como uma forma de diversão! O mesmo vale para os grandes portais de internet: acidentes e tragédias estão em destaque na primeira página. Isso sem falar nos últimos lançamentos nos cinemas e videogames. Somos tristemente bombardeados pela agressividade com as bênçãos do sistema em que vivemos; a dor e sofrimento alheios viraram motivo de piada…

É lógico que o efeito nas ruas não poderia ser diferente…

Há cerca de um ano encontrei no youtube um vídeo com uma palestra do ativista americano Gary Yourofsky tratando de vegetarianismo (recomendo!). Como forma de expressar sua contrariedade a esse material, um brasileiro se deu ao trabalho de fazer um vídeo caseiro protestando contra as explicações do ativista americano. Isso foi o que bastou pra que ele recebesse uma avalanche de críticas e agressões… Qual foi o resultado? Simples, todas aquelas palavras negativas alimentaram nele a sua própria negatividade e o desejo de continuar sua guerra: ele fez outro vídeo – e a luta continuou…

Então o que fazemos? Devemos cruzar os braços como se nada estivesse acontecendo? É claro que não, não podemos nos omitir, mas devemos buscar sempre a forma consciente de atuar: promova os movimentos pela paz, não contra a guerra. Seja a favor da vida, não contra o aborto. Veja – e alimente – aquilo que é bom, saudável, positivo. Construa o bem ao invés de tentar destruir o mal porque esta mesma energia que você emana ao mundo vai, cedo ou tarde, retornar ao seu dono…

Você tem queixa de alguém? Comece a elogiar.

Seu filho não vai bem na aula de história? Que tal um agrado pelas outras notas, ao invés de reclamar da única que não está boa?

Seus companheiros de trabalho dizem que o chefe é grosso? Comece a trata-lo bem e observe a mudança…

Pare de ver o lado ruim nas coisas. Se procurar, vai encontrar! E se encontrar fora, é porque ela também está dentro…

Busque o lado bom em tudo, promova o bem, afaste-se da contaminação emocional negativa. Não gaste sua energia em algo que não acrescenta nada a sua consciência.

E lembre-se sempre do ditado: tudo o que você resiste, persiste!

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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