Como a culpa afeta você

Um caso de atendimento

Há alguns meses fui procurado por um cliente que apresentava câncer de próstata. Depois de estudar e se auto aplicar EFT, ele concluiu que algumas sessões dirigidas poderiam ajuda-lo a estar emocionalmente mais estável pra enfrentar os obstáculos e sintomas de que vinha padecendo. Nós já tínhamos feito uma sessão trabalhando crenças e inseguranças que o estavam incomodando quando, logo no início do segundo encontro, fui direto ao ponto: “você está sendo oprimido pela culpa!” Ele me questionou: “como assim, que tipo de culpa?” Eu insisti – “procure na sua vida um episódio de culpa, algo que ainda incomoda e vai encontrar a origem do seu problema”. Neste momento ele olhou bem para os lados, certificou-se de que não estava sendo vigiado, e então falou sobre um episódio do seu passado que, apesar de ter acontecido há mais de 20 anos, ainda o atormentava. “Racionalmente – dizia ele – sei que isso é uma bobagem, mas emocionalmente ainda me pego remoendo isso” …

Não são todos os casos em que direciono o atendimento desta maneira, mas nesta situação senti que era necessário. E como eu pude classificar imediatamente seu sintoma físico com a questão emocional? Primeiramente, dor de qualquer tipo é indicação de culpa e autopunição. A culpa sempre procura o castigo e o castigo cria a dor. Dores crônicas têm origem em culpas crônicas, às vezes tão profundamente sepultadas que nem tem consciência delas. Além disso, por conhecer a correlação psico-energética do corpo, sei que a culpa diminui principalmente a atividade do segundo chacra, centro de vitalidade e responsável entre outras coisas pelo funcionamento da próstata/útero.

Em situações similares cujas vítimas eram mulheres, um aborto na juventude foi identificado como o responsável pelo vínculo emocional de uma endometriose (sangramento uterino). Em outro, foi um estupro – apesar da mulher ter sido a vítima, o agressor transferiu a ela a responsabilidade pela agressão com frases do tipo “a culpa disso é sua”…

Estes são apenas 3 casos em que a sinistra parceria culpa x sexualidade existia. No caso das mulheres, elas acreditavam que haviam superado o problema e jamais tinham associado episódios tão distantes (ocorridos há mais de 20 anos) com problemas presentes.  Foi o uso da EFT quem aflorou questões que já tinham sido dadas por superadas.

A autopunição

Quando uma pessoa em nossa sociedade comete alguma atitude tida por reprovável, seja a nível cível ou criminal, e é considerada culpada, qual é o procedimento seguinte? Ela precisa pagar uma pena porque está em débito com a sociedade. Não é isso que aprendemos desde pequenos?

Se o sentimento de culpa faz parte de nós, também iremos buscar uma maneira de “compensar” nossa falha, um castigo – isso, em outras palavras, chama-se autopunição.

Um dos casos bastantes curiosos sobre este tema dizia respeito a uma moça cuja mãe, portadora de uma doença neurológica, encontrava-se em coma. Suas lembranças mais persistentes estavam relacionadas a brigas e desentendimentos que, segundo seu entendimento, foram os responsáveis pelo estado de saúde de sua mãe. Sua culpa era tamanha que ela estava começando a sentir sintomas semelhantes aos que levaram sua mãe ao internamento. Os céticos poderiam chamar isso de genética, mas e quando um quadro de câncer na garganta se desenvolve no marido depois que sua esposa falece da mesma doença?

Não merecimento

A autopunição pode vir também na forma de não-merecimento, uma crença inconsciente, invisível, que traz para a vida de algumas pessoas a tendência de fazer com que suas escolhas sejam sempre as piores (sejam oportunidades profissionais, relacionamentos estáveis, bons negócios ou até mesmo a saúde como mencionado anteriormente). Se pudéssemos ouvir as frases que estas pessoas repetem diariamente para si mesmas, seguramente encontraríamos “não sou bom o bastante”, “nunca faço nada direito” ou ainda “se eu ficar com raiva, sou uma pessoa má”.

Crenças desse tipo criam uma vida frustrante… São apenas pensamentos, mas repetidos constantemente fazem com que “coincidências negativas” tornem-se permanentes na vida da pessoa.

Quando conseguimos identificar a origem da culpa, quando nos lembramos da nossa falha, fica mais simples desmanchar o bloqueio. Mas as situações realmente complicadas são aquelas associadas ao período que vai da gestação até os seis anos – quando ainda não temos mecanismos de defesa e estamos abertos a todo tipo de estímulo do ambiente. Além disso, até um ano e meio nosso cérebro visual ainda está em desenvolvimento, por isso nem sempre recordamos mentalmente do que aconteceu, mas a sensação de desconforto (que provém do inconsciente, o cérebro emocional) é constante.

Muitos adultos hoje foram vistos como causa de problemas para os seus pais, talvez por uma gravidez indesejada ou não planejada. Quando a mãe vê este período da vida como difícil ou complicado – e inconscientemente atribui a gravidez a culpa – estas emoções são transferidas para o bebê que cresce sentindo-se eternamente rejeitado, parece que nunca se ajusta ao ambiente ou faz as coisas certas. Mesmo que no momento do nascimento seja bem recebido, o impacto inicial fica plantado como uma semente à espera de solo fértil para germinar. Torna-se apenas uma questão de tempo para que a rejeição venha a tona…

A compensação

Em certa ocasião, conheci o caso de um rapaz que foi encaminhado pela família pra tratar sua agressividade. Durante o atendimento, acabou soltando uma frase mais ou menos assim: “tenho que provocar meu pai amanhã (sexta-feira), assim no sábado ele me empresta o carro...” – ele conhecia a maneira como a culpa do pai funcionava: primeiro provocava uma discussão, depois ganhava o carro como forma de compensação…

Esse mesmo mecanismo faz com que pais ausentes encham seus filhos de brinquedos e quinquilharias: é a maneira encontrada pra aliviarem sua própria culpa em relação a sua falta. Em alguns casos, embora exista a presença física, existe a ausência emocional, justamente o ponto que realmente é importante na formação de qualquer pessoa. Como as pessoas hoje estão cada vez mais afastadas de sua própria vida emocional, projetam este sentimento a seus filhos – e acreditam que eles também se sentirão mais satisfeitos possuindo mais coisas ao invés de compartilhar sentimentos, pessoas e experiências…

Queremos a paz ou a dor?

Esta é uma pergunta recorrente em meus artigos. A resposta é óbvia, mas na prática não é isso que acontece. Nós buscamos sempre construir em nossa vida um espelho daquilo que somos interiormente, o tecido quântico que reflete nossas relações conosco mesmos, inclusive as mais profundas que buscamos esquecer sem curar ou perdoar completamente.

Note que perdoar não significa “des-culpar” algo ou alguém (a origem da palavra denota isso: tirar a culpa), muito menos “esquecer”. O perdão a nós mesmos é sinônimo aceitação e paz com nossas falhas e inexperiências. Veja as coisas da seguinte maneira: você se culpa pelo período em que estava aprendendo a andar e caía constantemente no chão? Ou ainda, sente-se culpado por fazer sua mãe lavar suas fraldas? É claro que não, este era um período de aprendizado necessário pra que chegássemos onde estamos agora.

Nossas falhas, erros e deslizes do passado tem o mesmo significado: foram apenas a escada pra chegarmos até aqui.

Culpa, portanto, é sempre sinônimo de passado, e como já falamos anteriormente, é uma das incontáveis maneiras de ressentimento, mas desta vez dirigida para dentro. Quando nos magoamos com alguém, projetamos nossa raiva e críticas – que por si só são uma forma de agressão –a outra pessoa, alguém externo a nós. Quando nos sentimos culpados, a raiva é para nós mesmos, internalizada, por isso com ainda mais poder de destruição contra nós mesmos…

Existem maneiras simples de nos livrarmos deste peso inútil: o primeiro, viver cada instante por si mesmo, com gratidão pela vida. Quando nossa mente está focada no presente, não tem tempo de viver o passado. Embora seja uma prática extremamente simples, é uma das mais valiosas ferramentas de transformação interna com que podemos contar porque provoca mudanças profundas na consciência de quem o vive.

Outra maneira é praticando EFT pra trazer a paz que você ainda não conseguiu atingir em relação a seu passado. Comece sendo específico: lembre-se de um episódio em sua vida em que se sente culpado. Traga a lembrança daquele evento: onde estava, com quem, sobre o que falavam. Ao reviver mentalmente o evento, seu corpo começa a recriar a sensação emocional daquela data. Neste momento, aplique EFT, mesmo que da forma mais simples possível: “embora eu me sinta culpado por ter feito ______, eu me amo e me aceito profunda e completamente”, e use a frase de lembrete “culpa” em todos os pontos do tapping.

Como você vai saber que está tendo resultado? Simplesmente observe a sensação de paz interior nestes momentos, ela sempre é o resultado da diminuição de nossa bagagem inútil.

 

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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