Como o ressentimento inconsciente afeta sua vida

Há alguns anos atrás, enquanto estudava um livro que tratava sobre aspectos de peso (obesidade e magreza) e sua relação psicossomática, me deparei com o termo “ressentimento inconsciente”. Naquela época não compreendi muito bem de que maneira isso modelava o corpo de alguém, mas guardei a informação e continuei estudando.

Passado algum tempo, posso assegurar que o tal “ressentimento inconsciente” não é o responsável direto somente pelo peso, mas também pela saúde global, relacionamentos, finanças e todos os aspectos de nossas vidas.

Pra entendermos com clareza, precisamos compreender o que estas duas palavras querem dizer:

1 – ressentimento (re – sentir) é a perpetuação que qualquer tipo de emoção negativa que tenhamos vivido em relação a algo ou alguém – inclusive nós mesmos, pessoas ou atitudes que estas tiveram. Ressentimento é aversão ao que ocorreu, portanto, embora nos provoque sensações desagradáveis, também é uma forma de apego ao passado.

2 – inconsciente (in – consciente). Consciência é sinônimo de sabedoria interior; inconsciência é o oposto, é viver baseado na mente e seus condicionamentos.

Entenda que existem muitos níveis e subdivisões em nosso Ser. A consciência é o que temos de mais valioso, embora esteja atualmente adormecida e fracionada entre níveis subconscientes e inconscientes. Quanto mais conscientes nos tornamos de nossa vida, mais pacíficos, saudáveis e compassivos nos tornamos. Ela é definitiva entre fazer o que é certo, e fazer algo “pensando” que está certo (nossa mente nada tem a ver com a consciência, ela é apenas um veículo geralmente mal utilizado). Pais agressivos pensam estar fazendo o melhor, mas se tivessem consciência de seus atos, não o fariam! O mesmo vale para vícios que destroem a saúde do usuário: conhecer as consequências a nível racional é de pouca ou nenhuma ajuda…

Acessamos muitos níveis de consciência diariamente sem perceber. Nossos hábitos e condicionamentos pertencem aos níveis mais afastados da superfície, embora não possamos determinar com exatidão a qual nível eles pertencem (afinal, não existe uma régua ou medida pra determinar o que é subjetivo aos olhos); mas podemos dizer que quanto mais apurada é a nossa capacidade de observá-lo, mais consciente dele estamos nos tornando. Alguns exemplos pra entender: roer as unhas é algo que está se aproximando da superfície, percebemos quando isso acontece e algumas vezes até conseguimos identificar seus motivos (que podem ser nervosismo ou ansiedade). Desta maneira, ele pode ser estudado e eliminado com relativa facilidade. Mas existem alguns tipos de sabotagens e bloqueios que sequer são notados pela vítima porque são mais profundos e com causas completamente desconhecidos, tornando-se invisíveis a quem o possui – a estes podemos chamar de inconscientes.

Assim fica mais simples de entender: ressentimento inconsciente é continuar repetindo padrões emocionais negativos sem ter a menor ideia do que estamos fazendo ou do prejuízo que eles nos trazem. É um hábito negativo gerado pela falta de aceitação do interminável fluxo da vida e de tudo que ela nos traz. A física já sabe disso, e não é de hoje: vida é movimento! Por traz de uma parede aparentemente sólida, existem átomos vibrando, surgindo e desaparecendo continuamente milhares de vezes por segundo…

Aceitação é sinônimo de desapego, é a compreensão de que nada neste mundo de ilusão dura mais do que alguns ciclos (que podem ser dias, anos ou até sua vida inteira – apenas um piscar de olhos para o movimento cósmico); é estar em sintonia com o fluxo universal e saber que todo sucesso tem dentro de si a semente do fracasso, assim como ante todo berço existe a perspectiva do inevitável sepulcro. Isto se chama impermanência…

Ressentimento é o oposto: é negação, bloqueio e estagnação. Por ser algo inconsciente, além de não ser visto e compreendido, inevitavelmente será a causa de sofrimento, que servirá como despertador – “a dor que desperta” – para a consciência.

Até aqui, a parte filosófica. Agora vamos à parte prática.

Responda algumas perguntas com franqueza e senso crítico:

  • Existe algum evento ou pessoa em sua vida que gostaria de esquecer?
  • Há alguma lembrança em suas memórias que você preferia que nunca tivesse acontecido?
  • Ou ainda, sente algum desconforto ao lembrar de algo?

Se conseguiu identificar algum evento ou pessoa, então ele não é tão inconsciente assim – mas por falta de conhecimento não conseguimos identificar onde ou como essa lembrança nos prejudica hoje. Mas é importante entender que ressentimento não se resume a mágoa (que é uma forma de raiva guardada), mas qualquer emoção negativa: medo, tristeza, saudades, decepção, frustração…

Vamos começar com o exemplo do início do artigo: peso.

Magreza excessiva, por ser uma característica yang, é masculina. Alguém que perca o pai e não perdoa a vida por isso, não se desapega da pessoa, sente saudades ou melancolia terá uma tendência a magreza não-saudável, falta de apetite e até anemia causada pela pouca vontade de viver…

O oposto, ying, é feminino. Neste caso, a tendência a obesidade é facilmente observável (principalmente em mulheres), e algo que constatei pessoalmente em meus cursos de emagrecimento saudável. Pode ser a falta que a mãe faz, ou a mágoa que ela me deixou. Não importa o rótulo para a emoção, o fato é a falta de aceitação…

Em sua infância existiram conflitos por causa das finanças? Se ainda existem ressentimos com o que você via, então pode existir a tendência de colocar a culpa no dinheiro. Obviamente, se ele é culpado, inconscientemente não iremos querer tê-lo conosco…

Se você presenciou conflitos entre pai e mãe, e isso ainda mantém cicatrizes emocionais em você, então porque tentar um relacionamento saudável, já que seu modelo era falido?

Que exemplo você guarda da sua família? Se ele tiver sido ruim, mesmo que você busque por estabilidade familiar, cada vez que isso estiver acontecendo, você mesmo irá se encarregar de se sabotar e afastar as pessoas de seu convívio…

Tive uma cliente que queria muito encontrar um companheiro ideal, e alguns até apareciam… e desapareciam sem explicação! Mas foi somente durante as sessões que ela se deu conta de que “tinha raiva de casais felizes”. Se alianças eram motivo de raiva, seu inconsciente se encarregava de afastá-las…

Se você rotula pessoas prósperas com o adjetivo de “futilidade”, então uma crença inconsciente acaba de ser gerada dizendo: “eu não quero ser próspero, prefiro ser trabalhador”…

Em outro caso, o filho saiu de casa porque não aguentava mais os hábitos insalubres do pai. Quando este faleceu, reconstruiu o mesmo padrão: desordem, alimentação ruim, horas infrutíferas no computador… Até sua mãe percebeu que ele estava repetindo padrões…

Há cerca de um ano atrás, li uma entrevista com uma atriz que citava textualmente: “milhares de homens já dormiram comigo”… Pouco tempo depois, a mesma pessoa apresentou-se num programa de TV e declarou, em meio as lágrimas, que se sentia rejeitada pelo pai quando criança. Ela não sabia, mas a rejeição a fez procurar milhares de vezes pela figura masculina…

O mesmo fato acontece com os homens que não conseguem uma parceria estável. O troca-troca de companheiras (tão comum hoje) mostra que eles desejam e odeiam as mulheres, assim como amam e odeiam sua primeira figura feminina – a mãe…

Algumas mulheres dizem: “eu nunca quis um homem como meu pai”. E adivinha o que elas atraem???

Conheço uma pessoa que ainda não perdoou a mãe por esta ter falecido sem que ambas tivessem se entendido plenamente. O resultado é que tem cometido erros muito similares aos que condenava, só que de forma mais dissimulada – e não percebe! Até seus amigos dizem: “você é a cara da sua mãe…”

Caso ainda não tenha ficado claro, vou explicar melhor.

Ficar ressentido é a melhor maneira de:

1 – Afastar de sua vida o que você quer. Como trazer algo para minha realidade que ainda é sinônimo de sofrimento?

2 – Esconder de si próprio suas falhas. Se era algo que você não aceitava em outras pessoas, quanto mais em si mesmo! É o ressentimento quem alimenta nossa sombra…

3 – Repetir os mesmos padrões negativos que você critica. Lembre-se sempre: “nós não vemos as coisas como elas são, nós vemos as coisas como NÓS SOMOS”. E é justamente este o motivo da crítica: o espelho psicológico, ver-se refletido em nossos semelhantes – e não gostar do que vê!

Neste ponto, também conseguiremos entender melhor uma das grandes Verdades Universais que diz: “não julgue para não ser julgado, porque com a vara que medirdes, sereis medido” – são os seus julgamentos quem vão determinar os rumos de sua vida. É você quem cria suas próprias limitações baseados em seus conceitos e rótulos mentais.

E novamente recaímos no princípio básico da cura universal: o perdão! Perdoar é aceitar a impermanência da vida. Cada vez que ele acontece, além de aprofundar a sensação de paz interior (que tem graus diferentes em cada ser humano em função de seu nível de consciência), ele rompe vínculos com o passado, com a inconsciência e a dor que esta provoca.

O ressentimento, seu oposto, é o que nos mantém prisioneiros de nossa própria ignorância…

Há várias maneiras de abrir esta gaiola espiritual. mas EFT tem um diferencial: ela permite descortinar aspectos não visíveis em suas lembranças, ou seja, faz com que seu inconsciente aflore trazendo a carga emocional e a maneira como ela tem sabotado sua vida atualmente. Mesmo sem conhecer racionalmente as origens do bloqueio, ele será revelado de forma espontânea através se imagens, palavras ou sensações que afloram espontaneamente no processo. Relembrando: quanto mais conscientes nos tornamos, maior nossa liberdade de agir, pensar e sentir…

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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9 thoughts on “Como o ressentimento inconsciente afeta sua vida

  1. Boa Noite Rafael e Valéria, ja algum tempo acompanho seus videos, que são imensamente instrutivos e tenho dentro do possível colocá-los em prática, apesar de ja estar fazenda parte da melhor idade sinto que nem comecei engatinhar no aprendizado que diga-se de passagem é deslumbrante, estou me esforçando o máximo e espero aprender muito mais. abraços e muita gratidão a vocês. Antonia

    1. Olá Julio, nunca li relatos do uso de EFT para este uso específico. Mas existem 2 coisas que sem dúvida podem ser feitas:
      1 – procurar um especialista em naturopatia e conhecer alimentos funcionais e complementos para este caso;
      2 – tratar todas as questões emocionais que estão vinculadas a situação: medos, tristeza, impotência, e por aí vai.
      Desta maneira, o resultado do tratamento, seja qual for, terá resultados bastante superiores.
      Um abraço!

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