De quanto dinheiro você precisa para ser feliz?

O PODER DO MITO

Um dos mitos fundamentais da nossa cultura está baseado numa verdade e numa mentira.

A verdade é que se você está nu, com fome, na rua, com frio e chuva, dificilmente se sentirá feliz. Todos estão de acordo com isso.

Mas se alguém te dá abrigo, roupa, senta-te junto a uma lareira e te dá um prato de sopa quente, então você passa a sentir-se bem e feliz rapidamente. Neste momento, as suas necessidades básicas estão satisfeitas – essa é a verdade!

A mentira é que o acúmulo destes itens (sejam eles quais forem) te fará mais feliz:

O dobro das coisas te fará feliz em dobro;

10 vezes essa quantidade, 10 vezes mais feliz;

100 vezes essas coisas, 100 vezes essa felicidade;

1.000 vezes, 1 milhão de vezes…

Bill Gates que o diga, vive em estado de êxtase permanente – e essa é a mentira!!!

E essa mentira, esse vício que se tornou uma verdade incontestável, é uma das razões que nos leva a destruir nosso mundo, nosso corpo e nossas vidas…

Existem estudos que compararam durante décadas o nível de felicidade de diversas populações pelo mundo. As estatísticas atuais, comparadas às dos anos 50, indicam que os americanos são tão felizes hoje quanto eram há 50 anos, enquanto que o seu consumo triplicou neste período.

Ao saber disso, você ainda acredita que a quantidade de bens ou dinheiro acumulado é fator fundamental para sua felicidade? Então porque o crescimento material é o foco da maioria dos nossos esforços?

Já ouviu a frase “pobre menina rica”? E de milionários que se suicidam? Observe a mídia e perceba que bebida e drogas (formas de fugir da realidade) estão em todos os níveis sociais, inclusive naqueles que já atingiram fama e riqueza. Porque alguém fugiria de seu mundo se já vive em estado de plenitude?

Outra pesquisa paralela que indica que as pessoas que se consideram mais felizes são os religiosos, justamente aqueles que abrem mão de bens materiais para se dedicar a uma causa humanitária.

O PODER DAS CRENÇAS

“Crenças são muito poderosas, vamos à guerra para defender nossas crenças!”

Há muitas memórias escritas por pessoas que estiveram no Titanic e sobreviveram. Alguns passageiros se lembram de terem visto outros dizendo: “Subam nos botes, subam nos botes!”

E também havia pessoas que, com o folheto da Starline (o fabricante do navio) na mão, diziam: “Para que vou preciso de um salva-vidas? Aqui diz que este barco não afunda!” – dos 1800 passageiros, sobrevivem 675.

Estas pessoas obviamente acreditam mais no poder do mito (e das crenças coletivas) do que na necessidade de mudar o seu modo de enxergar a realidade e subir nos botes salva-vidas.

Novamente pergunto: em que você acredita? Nossas crenças nos cegam e tem o poder de distorcer nossa realidade…

Portanto, se você espera ser feliz quando tiver/acumular/possuir algo, sinto dizer, mas esta felicidade não chegará. Existirá sim algum contentamento passageiro que logo será substituído pela necessidade de possuir outra coisa – um mecanismo automático criado pela mente, algo como trocar de carro todo ano: nenhum automóvel vai te satisfazer indefinidamente, é tudo tão momentâneo que o desejo rapidamente é substituído por outro. Isso acontece com muitos empresários que lutam pra conseguirem o primeiro milhão e, quando o atingem, mudam o foco para o segundo e assim sucessivamente – e isso também é estatístico. Como qualquer vício, por mais que se possua, nunca é suficiente!

Muitos indivíduos não compreendem isso até estarem no leito de morte e constatarem que nada que é exterior, nenhuma coisa, jamais correspondeu a quem eles são e ao seu real sentido de felicidade e bem-estar. É por este mesmo motivo que alguns moribundos chamam por seus desafetos no momento da sua partida, porque apenas em seus últimos dias é que se dão conta de que desperdiçaram toda uma vida buscando algo que não podia ser comprado: o seu sentido de SER. Com a proximidade da morte, todo o conceito de prosperidade acaba se revelando sem o menor sentido.

Buscar satisfação tentando desenfreadamente satisfazer nossos desejos de possuir irá nos levar a um único e inevitável destino: insatisfação, frustração e a sensação final de termos perdido nosso tempo. Isso porque, na maioria das vezes, a percepção que a pessoa tem sobre o seu valor pessoal está muito mais ligada ao valor que as outras pessoas lhe depositam do que ao que ela própria se confere. É apenas uma maneira se sentir-se especial aos olhos dos outros.

É claro que o dinheiro é importante, pobreza não traz benefícios. Mas o valor que se dá a ele e como atingi-lo deve ser motivo de profunda reflexão.

“Os bens materiais chegam naturalmente aos desapegados que os usam sem envolvimento, mas dominam e escravizam os que tentam consegui-los a todo custo.”

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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