Descobrindo seu Propósito de vida

Lições de um povo esquecido

Quando o historiador grego Heródoto visitou o Egito no ano 500 a.C., não pôde deixar de afirmar: “De todas as nações na terra, os egípcios são os mais felizes, sãos e religiosos”. Apesar desta observação, surpreende saber que não tinham uma única palavra em sua língua que significasse “religião”. Eles simplesmente não viam diferença entre o Sagrado e o mundano; compreendiam que Deus, o Universo e o Homem formavam uma unidade manifesta pelo amor, e que todas as ações da vida diária – pescar, tecer, colher – eram maneiras de se aproximar de Deus e se aperfeiçoar a cada dia.

Como eles viviam em conexão com a Fonte, simplesmente sabiam que tudo que existe tem um motivo de existir; e que se algo fosse desnecessário, ele simplesmente não existiria!

Essa história nos faz refletir: existe realmente um objetivo, um motivo ou propósito individual em nossas vidas? Sem dúvida! Se o Universo tem seu motivo de existir, nós, como pequenos reflexos do Infinito, também temos.

Mas pra isso precisamos lembrar que somos seres imortais vivendo uma experiência material em 2 mundos simultaneamente: o mundo externo – das ações, do “fazer”; e o mundo interno – aquela parte que os olhos não veem, mas que pode ser acessada através do silêncio e da observação – e que irá determinar o resultado das nossas ações (dos quais pensamentos e sentimentos são apenas uma pequena parte).

O propósito primário (ou interno)

As escrituras Védicas nos dizem que o objetivo da criação é tornar-se consciente de si mesma e perceber-se sob diversos disfarces em todos os seres, encontrando assim partes suas em tudo aquilo que existe. Naturalmente, esse é nosso objetivo também, e é o que poderíamos chamar de nosso propósito primário de vida: despertar a autoconsciência espiritual.

Esta consciência pode ser assimilada através de pequenas ações que somente podem ser vividas a aprimoradas no mundo das formas – o dia-a-dia – praticando alguns preceitos simples:

Entendendo que tudo que existe, tem motivo de existir (mesmo que nossa mente não aceite ou compreenda isso).

Respeitando todas as formas de vida, porque todas são partes da mesma criação a que nós pertencemos e estão cada uma em seu próprio nível de evolução e aprendizado.

Sabendo que se encontramos imperfeições em nossos semelhantes e nos sentimos perturbados com elas, isso apenas significa que elas também estão em nós.

E acima de tudo: compreendendo que o momento presente é tudo que existe.

Por exemplo: você está lendo este texto, correto? Qual é o seu propósito neste momento? É continuar lendo com o máximo de atenção…

Você está entre amigos, conversando. Neste momento, seu propósito é ouvi-los com atenção, sem críticas e julgamentos.

Se está em seu trabalho, então este é o seu propósito: fazer o melhor de si, desempenhar ao máximo seu papel, não importa qual seja.

Percebe como é simples? Nosso propósito primário é viver o momento presente, aceitar a vida como ela é sem resistências, julgamentos ou apegos. Quando começamos a entender e viver de acordo com estes princípios, o desconforto ao qual nos habituamos chamado “sofrimento” desaparece como por encanto…

Isso se chama “ação santificada“: viver um momento depois do outro, desfrutando da simplicidade que ele oferece.

Encontrar – e viver – o propósito primário da vida tem também outro significado: não importa “o quê” você faz, mas “como” você faz. “Como” é o seu estado de consciência: pode ser medo e desejo (os estados egoicos mais básicos), ou tranquilidade e paz.

O problema não está em encontrar seus amigos, no seu trabalho ou suas atividades diárias, mas nos pensamentos e emoções que nutre a respeito deles.

Chegando nesta etapa, muitas pessoas se perguntam: “ok, entendi, mas eu vivo em um trabalho medíocre, gostaria de fazer algo importante, algo que acrescente valor a vida das pessoas”… Então vamos a segunda parte da explicação.

O propósito secundário – ou externo

Quando nos alinhamos com a Consciência do Universo – o momento presente – tudo que fazemos fica impregnado com esta nova energia que trazemos ao mundo, com a energia do amor e do serviço. E aí, abrimos espaço ao milagre: “coincidências” acontecem, pessoas e novas oportunidades surgem, porque nos tornamos um canal de Luz no mundo. E porque a vida não nos retribuiria o bem, se é exatamente isso que temos feito por ela?

Nós não estamos mais trabalhando por um salário no fim do mês (vivendo na expectativa do futuro), mas trabalhando pelo bem comum neste exato momento.

Não vemos nossos semelhantes como um simples trampolim financeiro ou emocional, mas nos reconhecemos neles como partes nossas que devem ser respeitadas.

Não fazemos do momento presente um estorvo, algo pelo qual “temos que passar” pra sermos felizes no futuro, mas o aceitamos exatamente como é, permitindo que a paz interior aconteça exatamente agora…

O propósito interno é sempre o mesmo, eterno e imutável, compartilhado por toda a criação. E é fundamental para que o externo aconteça.

O propósito externo se modifica de acordo com o crescimento de nossa consciência, porque tudo que existe no mundo das formas é impermanente.

Talvez você perceba que pode aprimorar mais seu trabalho, não importa quão simples ele seja – porque não existe nada de errado em ser um jardineiro ou uma faxineira, é o que você tem dentro que conta. Lembra da história sobre o povo egípcio no começo do texto? Você permite que a dimensão do Sagrado ocupe espaço em todas as atividades do mundo material, porque todas são portas para nos aproximarmos do Criador.

Talvez você perceba que pode ser mais útil exercendo certos talentos no mundo, e perde o medo de fazê-los porque está alinhado com a Fonte e sabe que se você for útil ao mundo, então ele pagará suas contas! E isso é muito natural, porque toda a criatividade e entusiasmo surgem da consciência, apagamos a ideia separatista entre vida profissional x vida pessoal: tudo se transforma em “vida”, e em tudo vemos novas maneiras de sermos uteis.

Você gostaria de se aprimorar ou elevar seu nível de serviço, mas não tem ou encontra o meio pra isso? Lembre-se que quando o discípulo está preparado, o mestre vem. As coisas simplesmente acontecem…

Mas pra que tudo isso aconteça, existe um pequeno segredo: nós precisamos dar permissão. Permita que a vida o ensine, o oriente e que até mesmo alguns estruturas disfuncionais se destruam. Aceite estas mudanças: se o grão não morre, a planta não nasce. Se desapegue!

Por fim, você deve ter notado no texto que em nenhuma ocasião mencionei a palavra “missão de vida”, e isso tem um motivo: a palavra missão sempre nos transmite a ideia de algo grandioso, pomposo, e tem sido usada por algumas pessoas como forma de ganhar destaque e reconhecimento – tudo que o ego deseja!

Isso não significa que trazer consciência ao mundo não lhe traga crescimento profissional. Isso vai acontecer, mas será a consequência, não um fim em si mesmo. Você não está em busca de sucesso e riqueza, não está procurando se encontrar por meio da sua capacidade de consumo, de conceitos pessoais ou pensamentos que os outros têm a seu respeito. O sucesso apenas acontece, naturalmente e sem esforço. E como não nos identificamos com algo que é filho do tempo e está condenado a desaparecer, quando o tempo chegar isso não será motivo de sofrimento.

E se não ocorrer, que diferença faz? Já nos encontramos interiormente, nos tornamos imensamente felizes com todas as pequenas atividades do dia a dia, resultado da paz que carregamos em nosso coração. Encontramos a dimensão do Eterno em tudo que fazemos. E o que mais poderíamos querer?

“O fim e os meios são uma coisa só. Se os meios não contribuírem para a felicidade humana, tampouco o fim o fará.” – Eckhart Tolle

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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