Porque nos auto-sabotamos?

Quem já buscou mudar sabe que este processo por vezes torna-se mais difícil do que parece. Desde perder peso, eliminar vícios e bloqueios ou alterar qualquer pequena rotina do dia-a-dia, certas coisas parecem que nasceram ali e, por isso, estão condenadas a permanecer assim.

Muitas vezes iniciamos o processo e o interrompemos no meio do caminho. Assim que o entusiasmo inicial se desfaz, tudo volta a ser como era antes. E mesmo conhecendo os benefícios que qualquer mudança pode proporcionar, temos a sensação de que velhos hábitos muitas vezes são incorrigíveis e maiores do que são…

A energia que nos traz de volta ao ponto de origem, que parece que não quer nossa mudança, é chamada auto sabotagem: são os esforços que fazemos, inconscientemente, para continuar como estamos. Note que o termo é bastante claro: não é um movimento externo, não são pessoas ou situação, nós mesmos somos o “problema”.

A auto sabotagem pode manifestar-se em qualquer área de nossas vidas. Onde existem bloqueios, inseguranças, dificuldades e até mesmo problemas de saúde, ela estará presente. Nós podemos até nos perguntar: mesmo sabendo que preciso fazer algo – e que isso só me trará benefícios – porque afinal de contas não consigo? Vamos então estudar a situação em partes.

Acima de tudo, precisamos aprender que aquilo que existe de mais tenaz em nós é a mente. Na atual condição psicológica e espiritual da humanidade, ela acaba por se transformar num estorvo porque funciona a base de condicionamentos: alguns “positivos” (que nos trazem benefícios), outros “negativos”. Esta tenacidade e rigidez em relação ao novo é o que o budismo chama de apego: a resistência a mudança, a inércia de permanecer onde estamos, como estamos.

A mente é como um cachorro adestrado: depois que grava os comandos, faz exatamente aquilo que aprendeu pra receber algum tipo de recompensa ou gratificação. No caso do cão, pode ser comida, um afago ou um brinquedo; e com os humanos não é diferente: somos condicionados a tomar certas atitudes pra sermos recompensados pela nossa boa ação.

Quando crianças, aprendemos desde cedo como as coisas funcionam: notas boas ou bom comportamento no colégio rendem elogios e presentes; o oposto gera desaprovação e críticas. Embora isso possa parecer útil em certas situações, o resulto a longo prazo acaba sendo prejudicial: se não for por uma boa recompensa, então porque vou me esforçar?

E mesmo sabendo que toda mudança vai gerar um benefício, então porque uma parte nossa se opõe a ele? Porque o ganho não é imediato (e o imediatismo é uma doença em nosso mundo). Por exemplo: perder peso pode parecer uma boa opção futura, mas neste momento o prazer da comida tem um apelo maior. Caminhar vai fortalecer meu coração, mas agora prefiro ficar em casa assistindo TV. Ou ainda usando um exemplo atual: porque a situação de falta d´agua em algumas capitais já vem sendo estudada nos bastidores científicos há pelo menos 15 anos e somente agora está se tornando pública? Porque atitudes neste sentido são consideradas impopulares (não geram prazer) e, portanto, não elegem quem as toma – “então, deixa que o próximo resolva o problema” – lembrando aqui que os políticos são apenas o reflexo do inconsciente das massas que os elegem. É o famoso “deixa pra depois”.

Pra começar a encontrar respostas para suas próprias dificuldades, encontre uma situação que exige mudança (e você não consegue realizar) e pergunte-se:

O que eu estou ganhando, neste exato momento, me mantendo onde estou?

Este questionamento vai começar a dar um novo rumo em sua investigação porque onde existe auto sabotagem, existem mecanismos de defesa e ganho secundário.

O mecanismo de defesa é um bloqueio gerado pelo inconsciente como forma de afastar a dor, muitas vezes causado por influência de um evento do passado.

Se, por exemplo, meus relacionamentos primordiais (pai e mãe) eram tumultuados, sou levado a acreditar que todos os demais relacionamentos funcionam dentro desta mesma tônica e, como resultado, acabo afastando as pessoas do meu convívio (como forma inconsciente de não sofrer).

Se tenho raiva de contas a pagar, o inconsciente acaba tirando o dinheiro da minha vida porque o entendimento dele é “sem dinheiro = sem contas => sem sofrimento!”.

Como a mente é linear, generaliza e rotula as coisas como “boas” ou “ruins”, criando com isso associações negativas com pessoas ou situações que apenas lembram eventos anteriores, mas comumente são completamente diferentes.

Em certa ocasião, atendi um engenheiro que tinha dificuldades de relacionamento com a secretária porque ela lembrava sua avó! E a consequência direta disto era falta de prosperidade…

Ganho secundário significa “aquilo que recebemos pra nos manter onde estamos” – algo que nem sempre está implícito, mas costuma fazer parte de todo o processo (são os ganhos imediatos citados anteriormente).

No campo da saúde, por exemplo, qualquer pessoa iria jurar de pé junto que quer se curar – embora uma parte sua sinta-se reconfortada com a atenção que passa a receber dos familiares que até aquele momento não a notavam.

Existem pessoas que adoecem por vingança, fazendo com que o parceiro sinta pena da sua situação e diminua suas críticas “pra não piorar mais a situação”.

Nos exemplos acima, perder a saúde transforma-se em algo positivo para as dificuldades emocionais da pessoa, vira sinônimo de algo “bom” – e você deve ter notado que desde o começo do artigo tenho colocado esta palavra entre aspas porque nem tudo é o que parece!

Essa é a consequência de não nos autoconhecer: apenas tampamos o sol com a peneira porque nem a escassez nem a doença irão nos fazer mais plenos ou completos! E enquanto não investigamos a situação de forma profunda e realizamos o desbloqueio emocional, vamos continuar repetindo os mesmos padrões de sofrimento – simplesmente continuamos no mesmo círculo de problemas sem imaginar seus reais motivos…

Mas existem maneiras de sair deste círculo!

Investigue, pergunte-se: o que me mantém aqui? Que motivos me alavancam? O que eu temo perder (ou ganhar) ao avançar para outro nível? O que isso significa pra mim?

Você pode listar todos os motivos positivos e negativos numa planilha e fazer EFT alternadamente, por exemplo:

  • eu quero perder peso
  • não quero abrir mão da comida
  • minha saúde agradece o emagrecimento
  • pensar em trocar de guarda-roupa me desmotiva…

… e assim por diante.

O que pode ocorrer:

As crenças e emoções negativas se dissolvem, ou perdem valor, e fica mais simples encontrar as causas;

Outras crenças subjacentes aparecem, e isso nos dá mais material de trabalho.

A partir daí, é comum percebermos que não se trata “deste” ou “daquele” problema… o que está por trás destes pensamentos e crenças é “apenas” todo nosso modo de vida, quem pensamos que somos e que ilusões carregamos a nosso respeito. E concluímos inevitavelmente que autoconhecimento não é algo para ser praticado de vez em quando: ele precisa ser vivido em cada momento da vida…

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Rafael Zen

Eu sou fascinado pelos mistérios e conexões entre o corpo, a mente e a consciência. E o que poderia existir de mais transformador do que o conhecimento de si mesmo?
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6 thoughts on “Porque nos auto-sabotamos?

  1. Muito bem aprofundado e explicado o assunto auto sabotagem. Eu me encaixo nessa situação pois as vezes fico no meio. Tenho medo ou dúvida ou fico ansioso se mudo meu estilo de vida ou até de dizer algo, que as vezes é necessário. Tenho que me auto conhecer e ter coragem e disciplina para com as mudanças.

  2. muito bom Rafael sou seu fã, gostei muito! vou fica mais ligado em me mesmo (o que eu estou ganhando, neste exato momento, me mantendo onde estou?)

  3. Isso acontece comigo em relação aos estudos. Eu fico literalmente horas sentada numa cadeira com os cadernos na minha frente. Tipo eu agora estou só estudando então eu tenho bastante tempo mesmo para estudar mas eu não consigo aproveitar bem o tempo. Na maior parte eu fico como citei anteriormente, sentada olhando pra tudo, ou seja, viajando fazendo nada.

    1. Olá Susan,
      Uma maneira simples de neutralizar essa procrastinação é fazer EFT sem frases enquanto olha para seus livros e cadernos.
      E se precisar de mais ajuda, consultas online resolver seu problema!
      Um abraço

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