Sentir é viver!

Vamos direto ao ponto: somos seres humanos, uma mescla entre razão e emoção, pensamos e sentimos constantemente. E seu bom funcionamento psicológico (ou seja, seu bem-estar em todas as áreas da sua vida) depende de quão harmônicos estes aspectos estão. Vamos explicar isso melhor:

Nós aprendemos desde cedo a ser “pessoas racionais”, não é mesmo? Não é isso que nos diferencia dos outros animais? Então, com base nessa premissa, somos desde a infância estimulados ao máximo a desenvolver esta habilidade, a tirar boas notas, a decorar matérias e coisas muitas vezes inúteis, e passamos a acreditar que “ser racional” é sinônimo de “ser inteligente” (tenho certeza que você já ouviu isso em algum lugar!).

Pois bem, no ano de 1995 (já se foram quase 25 anos!), o psicólogo americano Daniel Goleman lança o livro Inteligência Emocional (que rapidamente transforma-se num best-seller), no qual questiona (com fatos) o paradigma da inteligência, e ainda acrescenta: “as pessoas mais bem sucedidas no mundo não são necessariamente as de melhores notas na escola, mas sim as que tem emoções mais saudáveis e maior habilidade de empatia”. Trocando em miúdos: sua evolução pessoal ou profissional está amplamente relacionada à sua capacidade de ser emocionalmente inteligente (e só pra constar, hoje fala-se em “Inteligência Espiritual” e “Inteligências Múltiplas”, deixando o famoso QI ainda mais relativo!).

Mas… como dizia Aldous Huxley: “E se este mundo for o inferno de outro planeta?” (e cá entre nós, talvez ele tenha razão! :-/ ). O que quero dizer com isso é que este pequeno planetinha azul em que vivemos exige muito de nós, e desde o nascimento não existe uma única pessoa que não tenha passado por situações difíceis, tribulações, doenças, abandonos, pequenos e grandes traumas. O resultado disso? Uma coleção de memórias negativas, gerando inúmeros bloqueios energéticos e emocionais!

Mas o que nossas lembranças negativas tem a ver com nossos bloqueios?

É simples: por mais racional e bem instruído que sejamos, estima-se que cerca de 90% de nossas ações são realizadas pelo piloto automático – o inconsciente.

Podemos dizer que nosso inconsciente é nosso HD pessoal, nosso reservatório de informações, memórias, alegrias e dores… enfim, é lá que arquivamos tudo o que vivemos, e este reservatório de experiências acaba por moldar nosso modo de vida, de pensar, nossos comportamentos, como se fossem “aplicativos mentais”. Veja bem: assim como um HD de computador, o inconsciente apenas armazena e executa rotinas, sem questionar se estes aplicativos executados são “positivos” ou “negativos”. E ele tem uma característica bem interessante: funciona fundamentalmente por associações emocionais. Isso quer dizer, embora não de forma absoluta, que sua mente inconsciente gerencia e se expressa através de suas emoções (e do seu corpo).

Por exemplo: imagine que você tem uma prova pra fazer. Talvez tenha estudado muito, se dedicado, se esforçado por meses. Racionalmente, fez o que era necessário e se encontra mentalmente preparado pra isso. Mas só de pensar na prova, sua frio, treme, seu estômago aperta… enfim, seu corpo/emoções reagem negativamente. Isso significa uma coisa: você está com sérios problemas, porque na luta entre mente racional e seu inconsciente (emoção), este último sempre vence!

É por este motivo que as pessoas dizem que querem algo, mas tem resultados pequenos e até opostos ao que desejam! Enquanto seus programas internos não forem reformulados, enquanto suas emoções e memórias não forem acessadas e limpas, elas estarão carregando “vírus comportamentais” e sequer sabem disso! (esta é a origem das auto sabotagens e dificuldades de crescimento pessoal).

Se você quer conhecer o nível e intensidade destes bloqueios, existem alguns métodos altamente eficientes:

1 – observar seus pensamentos e sentimentos mais comuns no dia a dia e se perguntar: tá fácil conviver comigo mesmo?

2 – através dos resultados de sua vida – lembre-se sempre: sentimentos bloqueados, vida bloqueada (e a vida não mente!)

Pelo que foi mencionado, ficou claro que, embora a inteligência racional tenha seu papel a cumprir, ter emoções sadias é um passaporte seguro pra ter uma vida realizada, certo? E você também já entendeu que existem bloqueios, e que enquanto eles estiverem aí, por mais escondidos que pareçam estar (ou por mais que você tenha se esforçado pra esquece-los), isso vai afetar sua vida em diferentes aspectos.

Existem inúmeras técnicas altamente eficientes pra fazer esta faxina emocional, nos mais diferentes níveis. Aprender qualquer um destes métodos (ou contar com a orientação de um terapeuta) vai ajudar a limpar o passado e trazer enormes benefícios em nossas vidas, relacionamentos, saúde, etc. E isso é ótimo. Mas se você quer dar um salto quântico em sua jornada, é preciso reaprender a sentir – e esse é um tema muito pouco explorado, então vamos mais fundo nisso.

O que exatamente eu quero dizer com “reaprender a sentir”?

“Sentir” é algo inerente a todos os seres, e algo que acontece constantemente, sabendo disso ou não, estejamos atentos ao fenômeno ou não. Podemos até interromper o fluxo dos pensamentos (acredite, isso é perfeitamente possível!), mas sempre estaremos “sentindo” algo.

Ao contrário do pensamento racional, que ocorre na cabeça, “sentir” é uma propriedade do sistema nervoso, que se distribui por toda a extensão do seu corpo. Um gato não tem pensamentos racionais ou lineares como os humanos (portanto, também não tem nossos problemas!), mas tem um sistema nervoso, e por isso também sente.

“Sentir” envolve várias esferas: a física ou instintiva (estou com calor ou fome, por exemplo), a energética (senti um frio na espinha quando entrei aqui), a emocional (estou com medo) e a abstrata ou intuitiva (sinto que devo tomar aquela decisão). E todas elas estão acontecendo A TODO INSTANTE dentro de nós. Faça o teste: o que você está sentindo neste exato momento, enquanto lê este texto? Procure as 4 esferas mencionadas, procure se conectar a todas elas. E entenda que quanto mais difícil de encontrar alguma delas, ou quanto mais resistente você esteja a isto, mais bloqueado aquele campo se encontra em você!

Mas vamos nos ater, no momento, ao campo das emoções.

Existem emoções “positivas” (quando nos trazem prazer ou alegria), outras “negativas” (quando existe algum tipo de sofrimento ou desconforto – mesmo que imaginário).

Em termos de anatomia sutil, nossas emoções correspondem à energia da barriga, aos 3 chacras inferiores, ao campo de energia que nos aterra ao mundo material – e este é um os motivos pelos quais nossas emoções são a “cola” que nos permite realizar nossos objetivos – ou, pelo contrário, nos impedem de nos aproximar deles!

Imagine o seguinte: você gostaria de ter um relacionamento afetivo, mas quando pensa nisso, sente ansiedade ou medo.

Primeiro: você pode não ter percebido, mas inconsciente acabou de vincular o pensamento “relacionamento” a emoção “medo”. E adivinha o que acontece? Você não percebeu, mas acabou de gravar um novo programa negativo chamado “Medo de relacionamento”. E cada vez que pensar em se relacionar, o gatilho do medo vai ser disparado e vai sabotar sua procura. E esse modelo vale para todas as suas dificuldades.

Nesta situação, pode ainda ocorrer uma coisa comum: talvez depois de muito esforço você encontre uma pessoa (note bem, com esforço, não de maneira fluída e espontânea porque você está dividido por conta de seus medos), mas vai atrair alguém com os mesmos padrões emocionais e inseguranças que você – afinal, semelhante atrai semelhante. Dá pra imaginar qual será o destino desta relação?

Segundo: fomos ensinados desde cedo a nos mover exclusivamente pela razão, desconsiderando nosso campo emocional. Em função disso, estamos constantemente tentando racionalizar nossos sentimentos, criando frases e intermináveis histórias como forma de justificar o que estamos sentindo. Note bem: são apenas justificativas. Não importa qual seja o contexto, qualquer história que sua mente conte em relação a um sentimento é apenas isso: um amontoado de palavras que não condizem com a realidade. No entanto, quanto mais você repete estas frases pra si mesmo, mais passa a acreditar no que elas dizem, e menos questiona a verdadeira origem de seus problemas. E sem perceber, instalou mais um programa que vai rodar subliminarmente em sua rotina diária – e como você está acostumado a ele (e as frases que ele repete), sequer vai questioná-lo.

Mas como eu já disse antes, todos que nascem neste mundo trazem uma característica peculiar: carregam consigo um amontoado de bloqueios. Cada bloqueio traz suas próprias justificativas, suas histórias mentais, suas próprias descrições e racionalizações. E nada disso vai desaparecer “com o tempo” ou “num passe de mágica”: se você nada faz a respeito dele, ele continua aí, arquivado mas vivo, alimentando suas inseguranças, impaciências, tristezas… criando e mantendo as intermináveis vozes na sua cabeça!

Percebeu a conexão? Pensamentos compulsivos são sinal de traumas e emoções bloqueadas, não o contrário! A agitação mental é criada e mantida pela energia das emoções negativas armazenadas. Quanto mais bloqueios, mais barulho. Quanto mais você pensa em algo, e quanto mais barulhento este pensamento, maior o bloqueio.

E este é o motivo pelo qual eliminar lembranças do passado traz alívio imediato, clareza nas decisões e no modo de ver a vida: sem a pressão causada pelo sofrimento acumulado, tudo fica muito mais simples.

Mas existe ainda uma terceira questão: o esforço inconsciente que fazemos pra evitar “sentir” seja lá o que for que esteja ocorrendo conosco, precisa de energia pra se manter. Isso diminui nossa vitalidade e saúde, e vai somatizar nos mais diversos males com intensidade porque os avisos sutis do corpo não foram ouvidos, fazendo com que nosso sistema de equilíbrio precise apelar pra força bruta (você pode ler mais sobre a mensagem oculta dos sintomas e doenças). Nestes casos, pode ser que um infarto ou um AVC nos deem tempo suficiente pra reavaliar algumas coisas!

Evitar sentir a dor traz outra consequência: a incapacidade de sentir prazer. Tentar tornar nosso sistema nervoso (ou seja, nossa capacidade inata de “sentir”) limitado a sensações que classificamos como “boas” e rejeitando as “ruins”, é como tentar usar os olhos apenas para ver as coisas “boas” e “belas” do mundo. Você consegue fazer isso? Quando você fecha a porta da sua casa, ninguém entra – sejam estímulos negativos, corporais ou intuitivos porque tudo isso é “sentir”!

E pra tentar compensar este estado de “anestesia crônica”, passamos a buscar modalidades de prazer em intensidades cada vez maiores (e mais loucas até) porque o simples fato de estar vivo, de estar aqui e agora, já não é mais motivo de bem-estar. Precisamos de adrenalina e tensão, sejam as geradas por um filme de suspense, uma partida de futebol, uma traição, um programa de luta, um vício ou uma droga: necessitamos constantemente de “algo mais” que nos complete, mas não percebemos que estamos apenas elevando nossa tensão interna ainda mais.

Então você deve estar se perguntando: e o que eu faço agora?

Existem várias respostas pra isso. A mais simples é: esteja aí, e apenas sinta o que está acontecendo, não importa o que seja.

Entenda que nós não fugimos das situações, mas das emoções implícitas a ela (por isso novamente se diz que um bloqueio emocional bloqueia nossa vida). Ao enfrentar nossos bloqueios, espontaneamente começamos a superar nossas dificuldades.

Aquilo que chamamos medo, raiva, tristeza, são apenas pequenas ondas em nosso campo de energia. Quando nos identificamos com elas (ou seja, quando contamos histórias sobre o que sentimos) estas ondas se alimentam e se amplificam. Portanto, deixe de racionalizar suas sensações e apenas sinta, apenas observe o que está acontecendo. Isso é tão simples, tão simples, que qualquer pessoa pode fazer. Mas a simplicidade esconde o poder desta técnica, que chamamos ENTREGA (você pode aprender mais sobre o tema na série de vídeo vício em sofrimento).

Compreenda que essa energia bloqueada dentro de você tem um limite, e permitir-se senti-la é como abrir a válvula de pressão de sua panela: por mais barulho que ela faça, inevitavelmente vai esvaziar!

Quando vivemos nesta condição, ou seja, quando permitimos que as sensações “passem” por nós, sem rejeição, crítica, julgamento, culpados ou vítimas, naturalmente nos tornamos presentes. A própria emoção, não importa quão negativa seja, se torna o combustível para o despertar, para ingressarmos no Estado de Presença. Ficamos alertas, focados, centrados e intuitivos. E percebemos que por traz da emoção, existe um observador do processo: o observador é VOCÊ, sua essência, sua centelha tornando-se consciente de si mesma.

E quanto mais você se abre a este novo modo de viver, quanto mais deixa de resistir às suas emoções e sentimentos, vai também perceber que sua vida inteira se transforma, não por obra de um milagre ou de algo extraordinário, mas como uma consequência daquilo em você se tornou. E aí percebe que a vida sempre te apoiou, mas você estava tão ocupado reclamando que nunca havia percebido…

Siga-me!

Rafael Zen

Somos seres essencialmente espirituais, vivendo uma experiência material. E nessa extraordinária jornada, tudo vale a pena ser vivido!...
Rafael Zen
Siga-me!

Últimos posts por Rafael Zen (exibir todos)

2 thoughts on “Sentir é viver!

Deixe uma resposta para Rafael Zen Cancelar resposta